Sono rem, o que acontece no cérebro e no corpo

Definition
Compreender a fisiologia do sono rem, a sua evolução ao longo da idade e o que a investigação laboratorial apurou sobre o cérebro e os músculos.
O sono rem corresponde à fase caracterizada por movimentos oculares rápidos sob as pálpebras fechadas, uma atividade cerebral intensa e a perda quase total do tónus muscular nos membros e no tronco. O sono rem foi identificado em 1953, quando Eugene Aserinsky e Nathaniel Kleitman relataram períodos regularmente recorrentes de motilidade ocular durante o sono, juntamente com as outras alterações que os acompanham.
A identificação do sono rem em 1953
O sono de movimentos oculares rápidos foi identificado em 1953, quando Eugene Aserinsky e Nathaniel Kleitman descreveram períodos recorrentes de motilidade ocular durante o sono, em conjunto com as restantes alterações que os acompanham. [1]
A proporção ao longo da vida adulta
O sono rem representa cerca de um quinto do sono adulto e a sua distribuição não é uniforme. Uma meta-análise de 65 estudos que incluiu 3.577 pessoas com idades entre os 5 e os 102 anos mediu a percentagem de sono rem ao longo da vida e verificou que diminui com a idade nos adultos, a par de descidas no tempo total de sono, na eficiência do sono e no sono de ondas lentas. [2]

Esta diminuição não ocorre ao mesmo ritmo em todas as fases do descanso. Num estudo realizado com 149 homens saudáveis com idades entre os 16 e os 83 anos, o sono profundo de ondas lentas sofreu uma quebra acentuada entre o início da idade adulta e a meia-idade, enquanto o sono rem não se alterou de forma significativa durante esse mesmo período, demonstrando que os dois tipos de sono seguem cronologias marcadamente distintas. [3]
A atonia muscular durante o repouso
A par da atividade ocular rápida, a característica central desta fase reside na supressão do tónus muscular postural, mantendo o corpo imóvel enquanto o cérebro regista uma atividade intensa. Uma experiência em ratos demonstrou que o bloqueio dos dois neurotransmissores inibidores tradicionalmente apontados como responsáveis não aboliu a perda de tónus muscular, indicando que existem outros mecanismos envolvidos. [4]
A relação com os processos de memória
Esta fase é frequentemente associada à memória, embora a evidência causal mais sólida provenha de modelos laboratoriais. Em ratinhos, o silenciamento dos neurónios responsáveis pelo ritmo teta durante o sono rem, e exclusivamente durante esta fase, prejudicou a retenção posterior de memória contextual, sem perturbar o restante sono dos animais. [5]
O sono profundo e o sono rem desempenham tarefas distintas na retenção de informação. Uma revisão da literatura científica descreve o sono de ondas lentas e o sono rem como suportes de formas complementares de consolidação da memória, coordenadas por padrões de oscilação específicos e por níveis distintos de atividade neuromoduladora. [6]
A finalidade biológica global desta fase permanece em aberto. Uma análise abrangente sobre o sono nos mamíferos reuniu diversas hipóteses concorrentes, como a ativação cerebral periódica, a recuperação localizada de tecidos e a regulação emocional, sem optar por uma explicação definitiva. [7]
A fiabilidade da classificação técnica
Na prática clínica, esta é a fase em que os especialistas registam maior consenso de classificação. Num programa de fiabilidade que envolveu mais de 2.500 avaliadores na análise de 1.800 épocas de registo, resultando em mais de 3,2 milhões de decisões de classificação, a concordância geral na identificação dos estádios foi de 82,6%, tendo atingido o nível mais elevado precisamente no sono rem. [8]
Importa notar que estes dados provêm da polissonografia, um exame laboratorial que monitoriza em simultâneo a atividade eletroencefalográfica, o movimento dos olhos e o tónus muscular. Os dispositivos de pulso de consumo pessoal não recolhem estes parâmetros de forma direta, estimando as fases a partir do movimento corporal e da frequência cardíaca.
Perguntas frequentes
8 perguntasO que acontece ao corpo durante o sono rem?
Quando foi identificado o sono rem?
Que proporção do sono adulto corresponde a esta fase?
O sono rem diminui com a idade?
Por que motivo ocorre a perda de força muscular nesta fase?
O sono rem serve apenas para sonhar?
Qual é o papel do sono rem na memória?
Um relógio inteligente mede o sono rem com exatidão?
Sobre este artigo
Luke Sholl escreve sobre canabinoides, CBD e os benefícios da natureza num sentido mais amplo desde 2011. O seu percurso inclui experiência direta no cultivo de canábis ao longo de todo o ciclo, da semente à colheita, em
Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, Autor sobre CBD e bem-estar. Supervisão editorial por Joshua Askew.
Aviso médico. Este conteúdo destina-se apenas a fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer substância.
Referências (8)
- [1]Aserinsky E, Kleitman N. Regularly occurring periods of eye motility, and concomitant phenomena, during sleep. Science 1953;118(3062):273-274. doi:10.1126/science.118.3062.273, PMID 13089671 Source
- [2]Ohayon MM, Carskadon MA, Guilleminault C, Vitiello MV. Meta-analysis of quantitative sleep parameters from childhood to old age in healthy individuals. Sleep 2004;27(7):1255-1273. doi:10.1093/sleep/27.7.1255, PMID 15586779 Source
- [3]Van Cauter E, Leproult R, Plat L. Age-related changes in slow wave sleep and REM sleep and relationship with growth hormone and cortisol levels in healthy men. JAMA 2000;284(7):861-868. doi:10.1001/jama.284.7.861, PMID 10938176 Source
- [4]Brooks PL, Peever JH. Glycinergic and GABA-A-mediated inhibition of somatic motoneurons does not mediate rapid eye movement sleep motor atonia. Journal of Neuroscience 2008;28(14):3535-3545. doi:10.1523/JNEUROSCI.5023-07.2008, PMID 18385312 Source
- [5]Boyce R, Glasgow SD, Williams S, Adamantidis A. Causal evidence for the role of REM sleep theta rhythm in contextual memory consolidation. Science 2016;352(6287):812-816. doi:10.1126/science.aad5252, PMID 27174984 Source
- [6]Diekelmann S, Born J. The memory function of sleep. Nature Reviews Neuroscience 2010;11(2):114-126. doi:10.1038/nrn2762, PMID 20046194 Source
- [7]Siegel JM. Clues to the functions of mammalian sleep. Nature 2005;437(7063):1264-1271. doi:10.1038/nature04285, PMID 16251951 Source
- [8]Rosenberg RS, Van Hout S. The inter-scorer reliability program: sleep stage scoring. Journal of Clinical Sleep Medicine 2013;9(1):81-87. doi:10.5664/jcsm.2350, PMID 23319910 Source
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