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O que mede a monitorização do sono e como avaliar os dados

O que mede a monitorização do sono e como avaliar os dados
Cibdol · O que mede a monitorização do sono e como avaliar os dados

Definition

Uma análise detalhada das medições registadas por dispositivos de consumo e do seu grau de concordância com exames laboratoriais.

A monitorização do sono efetuada por relógios, anéis ou faixas baseia-se em sensores que detetam parâmetros fisiológicos durante a noite. Estes aparelhos fornecem estimativas automáticas sobre a duração do repouso e as respetivas transições de estado, mas o seu rigor varia conforme a variável em análise.

Sinais recolhidos pelos dispositivos

Uma revisão de 2019 sobre tecnologia vestível descreve dispositivos de consumo que recolhem sinais como a frequência cardíaca e a respetiva variabilidade, a condutância cutânea e a temperatura, além do movimento, a partir dos quais pretendem extrair informação sobre o sono [1]. Posteriormente, uma revisão de 2024 que analisou 35 artigos e 62 configurações vestíveis identificou uma tendência para combinar um acelerómetro com a fotopletismografia, o sensor ótico de pulso, relatando que os aparelhos que utilizavam apenas dados de acelerómetro distinguiam eficazmente o sono da vigília, mas ficavam aquém na identificação de múltiplas fases, ao contrário das configurações que acrescentavam o sinal de pulso [8].

Existem também equipamentos concebidos para ficar junto à cama. Uma revisão sistemática e meta-análise com 26 artigos, dos quais 22 forneceram dados para agregação, avaliou aparelhos que não contactam diretamente com o corpo [9]. Os resultados indicaram maior precisão em participantes saudáveis que utilizaram dispositivos colocados no colchão com sensores piezoelétricos, assinalando que estes aparelhos sem contacto distinguiram a vigília do sono tão bem como a actigrafia, fornecendo estimativas de fases que a actigrafia não apresenta [9].

A referência da polissonografia

Os ensaios de validação utilizam como padrão a polissonografia em laboratório, cujos registos são classificados por técnicos especializados. Num programa de fiabilidade com mais de 2.500 avaliadores, 1.800 épocas e mais de 3,2 milhões de decisões de classificação, a concordância com a pontuação maioritária registou uma média de 82,6 por cento, situou-se em 67,4 por cento para a fase N3 e atingiu o valor mais baixo na fase N1, com 63,0 por cento [10].

CIBDOL · A referência da polissonografia
CIBDOL · A referência da polissonografia

Deteção de repouso e de vigília

A capacidade de identificar o sono difere da capacidade de reconhecer períodos acordados. Num laboratório, 34 jovens adultos saudáveis foram avaliados com polissonografia durante três noites consecutivas, uma delas com sono deliberadamente fragmentado, usando em simultâneo actigrafia de investigação e um subconjunto de sete dispositivos de consumo testados, quatro vestíveis e três não vestíveis [3]. Época a época, cada aparelho detetou o sono com uma sensibilidade de pelo menos 0,93, mas a especificidade para detetar a vigília variou entre 0,18 e 0,54 [3]. As comparações entre fases foram heterogéneas e os aparelhos apresentaram um desempenho tendencialmente inferior nas noites com sono perturbado ou de menor duração, embora a maioria tenha registado resultados equivalentes ou superiores aos da actigrafia nas medidas de sono e vigília [3].

Em outro ensaio com 62 adultos, sendo 52 homens e 10 mulheres com uma idade média de 46 anos que passaram uma noite em laboratório com dois a quatro de seis dispositivos de pulso, todos os equipamentos detetaram mais de 90 por cento das épocas de sono [5]. No entanto, a especificidade para a vigília situou-se entre 29,39 e 52,15 por cento, com um coeficiente kappa de Cohen entre 0,21 e 0,53, classificado pelos autores como concordância razoável a moderada [5]. A maioria divergiu significativamente da referência no tempo total de repouso, na eficiência, no tempo acordado após o início do sono e no sono leve, sendo que os principais erros época a época foram épocas de vigília, sono profundo e sono REM que os dispositivos classificaram como sono leve [5].

Quando 53 adultos com uma idade média de 25,4 anos passaram uma noite em laboratório a usar seis dispositivos em simultâneo, a concordância na distinção entre sono e vigília situou-se entre 86 e 89 por cento, com kappa entre 0,30 e 0,51 [4]. A concordância na identificação da fase específica ou da vigília desceu para valores entre 50 e 65 por cento, com kappa entre 0,20 e 0,52 [4]. Os autores concluíram que os seis aparelhos eram válidos para avaliar o horário e a duração do sono em contexto real, mas careciam de aperfeiçoamento nas fases específicas [4].

Divergências na classificação das fases

A complexidade aumenta quando se comparam diferentes formatos técnicos. Um estudo multicêntrico na Coreia incluiu 75 participantes num hospital terciário e numa clínica de sono para comparar 11 aparelhos de consumo com a referência laboratorial, abrangendo 5 vestíveis e 6 modelos de proximidade ou de ambiente [6]. Ao longo de 349.114 épocas, a concordância na classificação das fases variou largamente, com pontuações macro F1 entre 0,26 e 0,69 [6]. Os vestíveis exibiram um viés proporcional elevado na eficiência do sono e os dispositivos de proximidade apresentaram viés proporcional elevado na latência [6].

Uma meta-análise de 24 estudos com 798 participantes que usaram dispositivos de pulso encontrou diferenças estatisticamente significativas em comparação com a polissonografia no tempo total de sono, na eficiência, na latência e no tempo acordado após o início do sono [7]. Nas análises de subgrupos, um conjunto não diferiu da polissonografia no tempo acordado e os restantes não divergiram na latência [7]. Os autores concluíram que estes aparelhos não apresentam a mesma fiabilidade que o exame laboratorial para estas métricas, recomendando uma interpretação prudente dos dados, embora continuem a ter utilidade para acompanhar padrões gerais de repouso [7].

Limitações técnicas e perceção individual

Uma revisão do estado da arte publicada em 2024 sobre aparelhos vestíveis refere que os dispositivos de consumo superam a actigrafia tradicional face à polissonografia, mas aponta limitações evidentes: a classificação errónea de vigília durante o período de repouso, dificuldades em registar o sono fora do período noturno principal, artefactos de leitura e um desempenho incerto em indivíduos com determinadas características, notando que fatores específicos como a cor da pele podem reduzir o rendimento dos sensores [2]. Acresce que a revisão de 2019 assinala a escassez de diretrizes para o uso destes aparelhos, identificando os algoritmos proprietários, o mau funcionamento e as atualizações de firmware como elementos críticos antes da sua adoção em protocolos clínicos ou de investigação [1].

Os dados numéricos nem sempre coincidem com a perceção do próprio utilizador. Uma revisão sistemática de 2026 com cinco estudos observacionais e 2.006 adultos verificou uma concordância fraca a moderada entre dispositivos de pulso e instrumentos subjetivos validados: as métricas dos aparelhos explicaram apenas 2,5 a 16,2 por cento da variação das pontuações subjetivas, o tempo total de sono registado correlacionou-se com os diários diários em r = 0,367 e os aparelhos não captaram as pontuações do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh [11]. Os autores sublinham que estes dados devem complementar, e não substituir, as avaliações subjetivas [11].

Por outro lado, autores de um relatório clínico de 2017 relatam que um número crescente de pessoas procura apoio para dificuldades de repouso diagnosticadas com base em períodos de sono leve ou agitado apresentados pelos seus dispositivos [12]. Para estes indivíduos, os valores do monitor pareciam frequentemente mais consistentes com a sua experiência do que exames como a polissonografia ou a actigrafia, alertando os autores para o facto de a associação inferida entre as métricas e o cansaço diurno poder transformar-se numa procura perfecionista pelo padrão de repouso ideal [12].

Perguntas frequentes

Que variáveis físicas são medidas pelos aparelhos de pulso
Os aparelhos de pulso medem movimentos corporais através de acelerómetros e detetam pulsações com sensores óticos, podendo recolher também temperatura e condutância cutânea.
Como é avaliada a precisão destes equipamentos
A precisão é avaliada em ambiente laboratorial por comparação direta com a polissonografia, analisando a concordância época a época entre os registos.
Porque é que a vigília é mais difícil de identificar do que o sono
Permanecer imóvel na cama sem dormir produz leituras de aceleração semelhantes às do repouso, o que leva muitos sensores a classificar a vigília como sono.
As fases apresentadas nos relatórios são exatas
Os ensaios laboratoriais indicam que a concordância nas fases específicas se situa habitualmente entre 50 e 65 por cento, sendo menos consistente do que a distinção entre dormir e acordar.
Existem aparelhos sem contacto corporal com validação científica
Sim, existem dispositivos de colchão com sensores piezoelétricos validados em ensaios comparativos, apresentando capacidade de distinguir repouso e vigília idêntica à da actigrafia.
O tom de pele influencia o funcionamento dos sensores óticos
Revisões metodológicas indicam que características físicas individuais, como a pigmentação da pele, podem interferir na captação ótica do sinal de pulso.
As atualizações de software podem alterar os resultados
Sim, os algoritmos dos fabricantes sofrem revisões frequentes através de atualizações de firmware, o que pode modificar a forma de cálculo das estimativas ao longo do tempo.
Os registos dos dispositivos coincidem com a forma como a pessoa se sente
Estudos mostram que os valores dos monitores explicam apenas uma fração reduzida da perceção subjetiva diária, mantendo uma correlação moderada com os diários de repouso.

Sobre este artigo

Luke Sholl escreve sobre canabinoides, CBD e os benefícios da natureza num sentido mais amplo desde 2011. O seu percurso inclui experiência direta no cultivo de canábis ao longo de todo o ciclo, da semente à colheita, em

Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, Autor sobre CBD e bem-estar. Supervisão editorial por Joshua Askew.

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Aviso médico. Este conteúdo destina-se apenas a fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer substância.

Referências (12)

  1. [1]de Zambotti M, Cellini N, Goldstone A, Colrain IM, Baker FC. Wearable Sleep Technology in Clinical and Research Settings. Medicine & Science in Sports & Exercise 2019;51(7):1538-1557. doi:10.1249/MSS.0000000000001947, PMID 30789439 Source
  2. [2]de Zambotti M, Goldstein C, Cook J, Menghini L, Altini M, Cheng P, Robillard R. State of the science and recommendations for using wearable technology in sleep and circadian research. Sleep 2024;47(4):zsad325 (published online 2023-12-27). doi:10.1093/sleep/zsad325, PMID 38149978 Source
  3. [3]Chinoy ED, Cuellar JA, Huwa KE, Jameson JT, Watson CH, Bessman SC, Hirsch DA, Cooper AD, et al. Performance of seven consumer sleep-tracking devices compared with polysomnography. Sleep 2021;44(5):zsaa291. doi:10.1093/sleep/zsaa291, PMID 33378539 Source
  4. [4]Miller DJ, Sargent C, Roach GD. A Validation of Six Wearable Devices for Estimating Sleep, Heart Rate and Heart Rate Variability in Healthy Adults. Sensors 2022;22(16):6317. doi:10.3390/s22166317, PMID 36016077 Source
  5. [5]Schyvens AM, Peters B, Van Oost NC, Aerts JM, Masci F, Neven A, Dirix H, Wets G, et al. A performance validation of six commercial wrist-worn wearable sleep-tracking devices for sleep stage scoring compared to polysomnography. Sleep Advances 2025;6(2):zpaf021. doi:10.1093/sleepadvances/zpaf021, PMID 40303381 Source
  6. [6]Lee T, Cho Y, Cha KS, Jung J, Cho J, Kim H, Kim D, Hong J, et al. Accuracy of 11 Wearable, Nearable, and Airable Consumer Sleep Trackers: Prospective Multicenter Validation Study. JMIR mHealth and uHealth 2023;11:e50983. doi:10.2196/50983, PMID 37917155 Source
  7. [7]Lee YJ, Lee JY, Cho JH, Kang YJ, Choi JH. Performance of consumer wrist-worn sleep tracking devices compared to polysomnography: a meta-analysis. Journal of Clinical Sleep Medicine 2025;21(3):573-582. doi:10.5664/jcsm.11460, PMID 39484805 Source
  8. [8]Birrer V, Elgendi M, Lambercy O, Menon C. Evaluating reliability in wearable devices for sleep staging. npj Digital Medicine 2024;7:74. doi:10.1038/s41746-024-01016-9, PMID 38499793 Source
  9. [9]Zhai H, Yan Y, He S, Zhao P, Zhang B. Evaluation of the Accuracy of Contactless Consumer Sleep-Tracking Devices Application in Human Experiment: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sensors 2023;23(10):4842. doi:10.3390/s23104842, PMID 37430756 Source
  10. [10]Rosenberg RS, Van Hout S. The inter-scorer reliability program: sleep stage scoring. Journal of Clinical Sleep Medicine 2013;9(1):81-87. doi:10.5664/jcsm.2350, PMID 23319910 Source
  11. [11]Srivali N, Cheungpasitporn W. Concordance of wearable device sleep metrics with patient-reported sleep quality: A systematic review. Sleep Medicine 2026;144:108941. doi:10.1016/j.sleep.2026.108941, PMID 41946254 Source
  12. [12]Baron KG, Abbott S, Jao N, Manalo N, Mullen R. Journal of Clinical Sleep Medicine 2017;13(2):351-354. doi:10.5664/jcsm.6472, PMID 27855740 Source

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