Jet lag e melatonina, o que a norma permite e o que os ensaios mediram

Definition
A diferença horária altera o ritmo interno antes de o corpo se adaptar ao destino. Entre o texto estrito fixado para os rótulos europeus e as conclusões de dez ensaios clínicos, o horário da toma pesa mais do que a quantidade.
Compreender o jet lag exige distinguir aquilo que a legislação europeia permite imprimir numa embalagem daquilo que a literatura científica analisou ao longo de vários ensaios clínicos. O jet lag não é simples fadiga de viagem, mas o desfasamento entre o relógio circadiano interno e as referências horárias externas do destino, razão pela qual acompanha o número de fusos horários atravessados e não a duração do voo.
Esse mecanismo biológico tem como marcador habitual o início de secreção de melatonina sob luz ténue, conhecido pela sigla DLMO, que indica o ponto de partida temporal do ciclo interno antes de qualquer deslocação. [3]
O limite estrito da alegação europeia
O quadro regulamentar da União Europeia é taxativo quanto às menções autorizadas em suplementos alimentares. O que um rótulo alimentar europeu pode declarar é mais restrito do que as conclusões da revisão, uma vez que a alegação autorizada contempla a redução dos sintomas subjetivos da diferença horária, sendo a palavra subjetivos parte integrante da redação legal, utilizável apenas sob a condição de utilização fixada.
A formulação aprovada no anexo do Regulamento (UE) n.º 432/2012 define exatamente a seguinte declaração oficial:
A melatonina contribui para o alívio dos sintomas subjetivos da diferença horária
Essa frase surge associada a instruções regulamentares sobre a ingestão mínima por dose e a proximidade em relação ao descanso noturno no dia de chegada e nos seguintes. O fabricante não pode expandir nem reformular esse texto na rotulagem comercial.
As conclusões de dez ensaios clínicos
Fora do âmbito da rotulagem, a literatura agregada oferece uma perspetiva quantitativa diferente. Uma revisão Cochrane de dez ensaios aleatorizados em passageiros aéreos, pessoal de bordo e militares concluiu que, em nove deles, a melatonina tomada perto da hora de deitar prevista no destino, entre as 22h00 e a meia-noite, reduziu o jet lag após voos que cruzaram cinco ou mais fusos horários. [1]

Trata-se de uma observação mais ampla do que o texto autorizado nos rótulos, construída a partir de ensaios com várias décadas de existência.
O papel do horário e da formulação
Nos ensaios recolhidos, o momento da administração revelou-se determinante para o desfecho. A mesma revisão é categórica quanto ao horário, assinalando que, quando tomada fora de horas, ao início do dia, a melatonina tende a provocar sonolência e a atrasar a adaptação à hora local, o que representa o oposto do efeito pretendido. [1]
No que diz respeito aos volumes consumidos, as discrepâncias foram reduzidas. Ao longo da gama de quantidades diárias avaliadas o efeito foi comparável, registando-se um adormecer mais rápido e sono melhor no patamar superior face ao patamar inferior, sem benefício adicional acima desse limite, enquanto uma formulação de libertação prolongada se revelou relativamente ineficaz, o que os autores interpretaram como indício de que um pico mais curto e elevado funciona melhor do que uma curva plana. [1]
Variação entre passageiros e direção do voo
Os resultados globais também não se distribuem de modo idêntico entre todas as viagens ou passageiros. A magnitude do benefício não é uniforme, sendo provável que aumente com o número de fusos horários atravessados e diminua nos voos para oeste, reportando a revisão um número necessário para tratar de dois. [1]
Paralelamente, a resposta biológica de quem viaja introduz uma camada substancial de incerteza. As diferenças individuais superam as médias teóricas, uma vez que a taxa e a direção da adaptação variam amplamente entre pessoas, o que dificulta ajustar qualquer abordagem à fase circadiana de cada indivíduo, além de que a tolerância à privação de sono do jet lag pode associar-se a um polimorfismo de comprimento num gene do relógio humano. [2]
Paragens curtas e exposição à luz
O perfil da permanência no destino altera a estratégia descrita pelos investigadores. Adaptar o organismo nem sempre constitui o objetivo, pois em escalas de um a dois dias uma revisão posterior desaconselha qualquer deslocamento do sistema circadiano, uma vez que a adaptação imediata é praticamente inviável, ao passo que para estadias superiores a quatro ou cinco dias descreve a exposição programada à luz e a sua evitação em horários definidos como as estratégias que aceleram a adaptação. [2]
Em viagens com regresso quase imediato, manter a rotina alinhada com o fuso de partida reduz o desgaste provocado por desfasamentos sucessivos.
Dados de segurança e produtos de mercado
Quanto à tolerabilidade, a avaliação clínica registou poucas intercorrências agudas. A revisão regista que a incidência de efeitos indesejáveis foi reduzida e, em simultâneo, que relatos de casos apontam que dois grupos específicos de pessoas podem sofrer prejuízo, num deles devido a uma interação com um medicamento sujeito a receita médica, apelando à investigação de ambos os casos e ao estabelecimento de um controlo de qualidade farmacêutico de rotina para os produtos de melatonina. [1]
Quem se encontra sob acompanhamento médico ou faz uso de terapêutica continuada deve discutir previamente qualquer toma com o respetivo médico de família.
A Cibdol disponibiliza melatonina em dois formatos sob a denominação Fall Asleep, em gotas e em cápsulas, ambos com a indicação de tomar 30 minutos antes de deitar.
Este artigo sintetiza investigações publicadas e cita legislação em vigor, sem constituir aconselhamento clínico, sem indicar substâncias a tomar e sem prescrever horários.
Perguntas frequentes
8 perguntasA melatonina funciona no jet lag?
Por que motivo o rótulo refere sintomas subjetivos?
O horário da toma é mais relevante do que a dose?
A direção do voo altera os resultados?
Qual é o número necessário para tratar estimado pela revisão?
O que fazer em escalas de um ou dois dias?
Por que motivo as respostas variam entre indivíduos?
Que aspetos de segurança foram identificados na literatura?
Sobre este artigo
Luke Sholl escreve sobre canabinoides, CBD e os benefícios da natureza num sentido mais amplo desde 2011. O seu percurso inclui experiência direta no cultivo de canábis ao longo de todo o ciclo, da semente à colheita, em
Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, Autor sobre CBD e bem-estar. Supervisão editorial por Joshua Askew.
Aviso médico. Este conteúdo destina-se apenas a fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer substância.
Referências (3)
- [1]Herxheimer A, Petrie KJ. Melatonin for the prevention and treatment of jet lag. Cochrane Database of Systematic Reviews 2002;(2):CD001520. doi:10.1002/14651858.CD001520, PMID 11279722 Source
- [2]Arendt J. Managing jet lag: some of the problems and possible new solutions. Sleep Medicine Reviews 2009;13(4):249-256. doi:10.1016/j.smrv.2008.07.011, PMID 19147377 Source
- [3]Lewy AJ, Sack RL. The dim light melatonin onset as a marker for circadian phase position. Chronobiology International 1989;6(1):93-102. doi:10.3109/07420528909059144, PMID 2706705 Source
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