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2-AG (2-araquidonoilglicerol): o segundo endocanabinoide maior

Still life with a Cibdol product introducing 2-AG (2-Arachidonoylglycerol): The Second Major Endocannabinoid
Cibdol · 2-AG (2-araquidonoilglicerol): o segundo endocanabinoide maior

Definition

Os canabinoides de que quase todos falam vêm de uma planta. O 2-AG, ou 2-araquidonoilglicerol, não: é uma molécula que o próprio organismo monta a partir de ácidos gordos, com uma molécula de ácido araquidónico ligada à posição do meio do esqueleto de glicerol. A literatura descreve-o como o segundo endocanabinoide maior e, em concentração nos tecidos, como o mais abundante do par que forma com a anandamida.

A posição 2 da glicerina, e o nome que vem dela

  1. Os canabinoides de que quase todos falam vêm de uma planta. O 2-AG não. Esta molécula é montada dentro do corpo, a partir de blocos de ácidos gordos, tal como as outras moléculas que o organismo produz para os mesmos recetores.
  2. O nome por extenso é 2-araquidonoilglicerol. A forma curta, 2-AG, é a que circula na literatura sobre o sistema endocanabinóide, e é também assim que a molécula aparece nos dois trabalhos de 1995.
  3. A estrutura tem uma peça central: uma molécula de ácido araquidónico ligada à posição do meio do esqueleto de glicerol. Essa posição do meio é o número 2 que abre o nome.
  4. Em química, o conjunto classifica-se como um éster sobre glicerol: um ácido gordo, um esqueleto de três carbonos, uma ligação no lugar do meio.
  5. O estatuto que a literatura lhe atribui é o de segundo endocanabinoide maior, ao lado da anandamida.
  6. Em concentração medida nos tecidos do corpo, é o mais abundante dos dois. A anandamida fica abaixo, e essa diferença de escala teve consequências práticas no trabalho de laboratório.
  7. A palavra endocanabinoide tem aqui um sentido estreito: molécula produzida pelo próprio organismo, com ácidos gordos como material de partida, e atividade nos recetores canabinóides. Não é sinónimo de composto retirado de uma planta.
  8. O par 2-AG e anandamida é o mais descrito deste sistema de sinalização. Quando se quer entender uma das duas, o detalhe útil é quase sempre a comparação com a outra.

Intestino e cérebro, dois relatos do mesmo ano

RegistoTecidoO que ficou escritoLeitura
Antecedente, 1992não aplicávelA anandamida já estava descrita desde 1992. A meio da década de 1990 ficava uma pergunta de seguimento, simples de formular: se existe uma molécula do próprio corpo para estes recetores, haverá outras à espera de ser encontradas?É o enquadramento em que as duas equipas de 1995 se puseram a trabalhar, cada uma com o seu tecido.
Mechoulam e colegas, 1995 [1]tecido do aparelho digestivoUm 2-monoglicerídeo endógeno, isolado nesse tecido, com ligação aos recetores canabinóides descrita no mesmo artigo, publicado nesse ano.Uma das duas vias de procura seguidas em 1995: começar longe do cérebro e ver o que aparecia.
Sugiura e colegas, 1995 [2]tecido nervoso2-araquidonoilglicerol identificado no cérebro e apresentado como possível ligando endógeno do recetor canabinoide, sem afirmação mais forte do que essa.A outra via, no mesmo ano, com um resultado que coincide com o primeiro.
Soma do anodois tecidosDois grupos, dois tecidos, um composto, um ano, e nenhuma das equipas a depender da outra para chegar ao mesmo sítio.Desde 1995, o 2-AG aparece em praticamente todas as descrições sérias deste sistema.

A anandamida na coluna ao lado

Campo2-AGAnandamida
Entrada na literatura1995, em dois trabalhos independentes [1][2]descrita em 1992, três anos antes
Estatuto na descrição do sistemasegundo endocanabinoide maiora primeira das duas a ser descrita
Concentração nos tecidos do corpoo mais abundante do par nos tecidos medidos; a diferença de escala explica boa parte do trabalho de medição que se acumulou sobre esta moléculafica abaixo do 2-AG nos mesmos tecidos
Classe química indicada nesta entradaéster sobre glicerol, com o ácido araquidónico na posição do meionão fixada nesta ficha
Origemproduzido dentro do corpo, a partir de ácidos gordosproduzida dentro do corpo, a partir de ácidos gordos
Relação com a plantanenhuma; não é constituinte de extrato de cânhamo nem entra em listas de ingredientesnenhuma, pela mesma razão
Como o nome aparece em pesquisa2-AG, e também a forma longa 2-araquidonoilglicerolanandamida, o nome que a maior parte dos textos usa
Trabalhos citados nesta entradaos dois relatos de 1995 [1][2]mencionada como antecedente de 1992
Porque é que a comparação vale a penaos números de concentração só ganham sentido quando as duas moléculas se leem na mesma linha, e é por isso que quase toda a literatura as apresenta juntasserve de segundo termo dessa leitura

Do recetor à enzima que o retira de circulação

  1. No recetor CB1 e no recetor CB2, os dois principais recetores canabinóides, o 2-AG comporta-se como agonista total. Ativação completa, portanto, e não parcial.
  2. O qualificador conta. Um agonista total e um agonista parcial não descrevem o mesmo comportamento no mesmo local, e a diferença aparece escrita assim na literatura sobre esta molécula.
  3. A saída de circulação passa sobretudo por uma enzima com nome próprio: a monoacilglicerol lipase. É a via principal de eliminação descrita para o 2-AG.
  4. O trabalho de base foi de medição cuidadosa. Identidade, estrutura, distribuição pelos tecidos e via de eliminação: é este o conjunto que ficou bem documentado depois de 1995.
  5. Por ser o mais abundante do par, acumulou um volume de medições que a anandamida não tem. A escala puxou o esforço analítico.
  6. Da ativação completa em CB1 e CB2 vem outro uso: o 2-AG serve de ponto de comparação para outros compostos que atuam nos mesmos alvos, incluindo canabinoides de origem vegetal.
  7. É por isso que a molécula aparece com frequência em textos sobre outro assunto. Quem descreve um canabinoide da planta precisa de uma referência do próprio corpo para o situar.
  8. Nada disto se confunde com um ingrediente. O 2-AG é matéria de bioquímica, e o registo dele termina onde termina a medição.

Feito por dentro, a partir de ácidos gordos

Vale a pena separar duas famílias de palavras que a pesquisa junta. Os endocanabinoides, 2-AG e anandamida, são produzidos pelo próprio organismo a partir de blocos de ácidos gordos. Os canabinoides da planta são outra coisa, com outra origem, e é aí que entram termos como os terpenos ou as designações de extrato que constam nas fichas de composição.

Daí resulta uma consequência prática. O 2-AG não é um ingrediente, não consta de um extrato de cânhamo e não aparece numa lista de ingredientes, seja de um óleo, seja de cápsulas de CBD. Quem procura o sistema endocanabinóide humano, ou a função dos endocanabinoides, está a procurar fisiologia e não composição de frasco. As duas leituras usam vocabulário parecido e respondem a perguntas diferentes.

Quando a afirmação corre à frente dos dados

Com esta molécula aconteceu mais do que uma vez: surgem afirmações que vão além do que os trabalhos publicados sustentam. Na Cibdol, casa que trabalha com canabinoides desde 2014, o padrão de escrita é o inverso disso. Nome, estrutura, os dois registos de 1995, o perfil no recetor, a enzima de eliminação. E ponto final onde a literatura para.

Do resto fica uma linha em branco. Uma linha em branco não se preenche com adjetivos.

Perguntas frequentes

Porque é que o nome do 2-AG começa por um número?
Porque o número marca uma posição. O 2-araquidonoilglicerol tem uma molécula de ácido araquidónico ligada à posição do meio do esqueleto de glicerol, e essa posição central é o 2 do nome. A forma curta, 2-AG, guarda o mesmo número e a mesma informação de estrutura.
Agonista total e agonista parcial descrevem a mesma coisa?
Não. São descrições diferentes de comportamento no mesmo local. Nos dois principais recetores canabinóides, CB1 e CB2, o 2-AG consta como agonista total, ou seja, ativação completa e não parcial. O qualificador é a parte informativa da frase e não deve ser lido como um detalhe menor.
Os dois trabalhos de 1995 chegaram ao mesmo composto?
Sim, por caminhos diferentes. Mechoulam e colegas descreveram, em 1995, um 2-monoglicerídeo endógeno isolado em tecido do aparelho digestivo, com ligação aos recetores canabinóides. Sugiura e colegas, no mesmo ano, identificaram 2-araquidonoilglicerol no cérebro e apresentaram-no como possível ligando endógeno. Dois grupos, dois tecidos, um composto.
Encontra-se 2-AG na lista de ingredientes de um óleo?
Não. O 2-AG não é um ingrediente nem constituinte de um extrato de cânhamo: é uma molécula que o organismo produz a partir de ácidos gordos. As fichas de composição registam compostos de origem vegetal, canabinoides e terpenos incluídos, e não moléculas de sinalização do próprio corpo.

Sobre este artigo

Luke Sholl escreve sobre canabinoides, CBD e os benefícios da natureza num sentido mais amplo desde 2011. O seu percurso inclui experiência direta no cultivo de canábis ao longo de todo o ciclo, da semente à colheita, em

Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, Autor sobre CBD e bem-estar. Supervisão editorial por Joshua Askew.

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Aviso médico. Este conteúdo destina-se apenas a fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer substância.

Última revisão em 26 de agosto de 2026

Referências (2)

  1. [1]Mechoulam, R. et al. (1995). Biochemical Pharmacology, 50(1), 83-90. DOI: https://doi.org/10.1016/0006-2952(95)00109-d
  2. [2]Sugiura et al. (1995). 2-Arachidonoylglycerol: a possible endogenous cannabinoid receptor ligand in brain. DOI: https://doi.org/10.1006/bbrc.1995.2437

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