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O que é o nerolidol?

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Cibdol · O que é o nerolidol?

Definition

Mais de 40 000 terpenos estão descritos na natureza, e o nerolidol é um deles: um álcool sesquiterpénico presente em espécies vegetais de odor floral, incluindo ervas com historial de uso popular [1]. A indústria usa-o em cosmética e em produtos de limpeza por uma razão declarada, o aroma, e na alimentação figura como aromatizante [1]. A investigação publicada é pré-clínica, conduzida em laboratório.

Quarenta mil nomes, e um que se cheira todos os dias

40 000. É esse o número de terpenos já descritos na natureza, e é a escala certa para ter à mão antes de fixar um nome só [1]. O nerolidol é um deles. Um álcool sesquiterpénico, presente em espécies vegetais de odor floral, entre as quais várias ervas com historial de uso popular [1].

O que puxou a indústria para ele não foi o perfume. Foi a estabilidade, apontada na revisão de Chan, de 2016, como o motor dessa utilização industrial [1]. Daí os volumes, que não são simbólicos. Entre 10 e 100 toneladas métricas por ano, repartidas por cosmética e produtos de limpeza [1]. A finalidade declarada nesses dois setores é uma só: o aroma [1]. Nada de outra ordem lhe é atribuído nessas aplicações.

Na alimentação, o registo é igualmente sóbrio. Nos Estados Unidos, a classificação é de aromatizante seguro, e o papel que o fabricante lhe reserva é o de intensificador de sabor [1]. Quantidades pequenas. Uma função descrita numa linha, sem apêndices.

Depois há o pormenor que quase ninguém repara. Na Europa, o contacto do consumidor com este composto passa por duas vias muito concretas, cheirado e provado, sem que o nome chegue a ser lido no rótulo [1]. Familiar ao nariz, desconhecido à leitura. É talvez o destino mais comum das moléculas de aroma que atravessam a cozinha e a prateleira da casa de banho.

Vale a pena separar dois planos desde já. De um lado, este perfil de utilização, documentado e medido em toneladas. Do outro, a investigação publicada, que corre em laboratório e aparece mais abaixo com o ano e o autor à frente de cada resultado. Quem procura terpenos em português chega quase sempre primeiro à palavra genérica e só depois a nomes individuais como este. O vocabulário do sistema endocanabinóide costuma surgir nas mesmas buscas, mas pertence a outro registo: esta ficha não inclui medições em recetores canabinoides.

DadoO que consta na literatura
Dimensão da famíliaMais de 40 000 terpenos descritos na natureza, número que dá escala ao conjunto em que este nome se inscreve [1]
Ocorrência botânicaEspécies vegetais de odor floral, incluindo ervas com historial de uso popular [1]
Classe químicaÁlcool sesquiterpénico [1]
Característica que puxa o interesse industrialA estabilidade, indicada como o motor dessa utilização [1]
Volume industrial anualAproximadamente 10 a 100 toneladas métricas [1]
Setores que o consomemCosmética e produtos de limpeza [1]
Finalidade nesses setoresApenas o aroma, sem outra função atribuída [1]
Estatuto alimentar nos Estados UnidosAromatizante classificado como seguro pela autoridade alimentar [1]
Papel indicado do lado do fabricanteIntensificador de sabor [1]
Exposição do consumidor na EuropaCheirado e provado, sem que o nome seja lido no rótulo [1]
Vocabulário vizinho nas pesquisasTerpenos, sistema endocanabinoide, endocanabinoides e recetores canabinoides surgem nas mesmas buscas; esta ficha não traz medições nesse campo

Seis publicações, e nenhuma em pessoas

A base de evidência é pré-clínica. Toda. Nenhum dos trabalhos citados chegou a ensaios em pessoas, e essa frase, sozinha, define o alcance de tudo o que vem a seguir [3][4][5][6][7].

Pré-clínico é uma palavra que convém traduzir. Designa o trabalho feito antes de qualquer ensaio em pessoas: células, tecidos, modelos de laboratório. Modelo, aqui, quer dizer duas coisas ao mesmo tempo: um desenho experimental e um parâmetro que se mede dentro desse desenho. Trocar o desenho troca o significado do número.

As pesquisas em português juntam frequentemente os terpenos e o sistema endocanabinóide na mesma frase, e o texto que mais alimenta essa aproximação é a revisão de Russo, de 2011 [2]. É aí que o nerolidol aparece nomeado como terpeno candidato a interação com determinados canabinoides. Candidato é a palavra do artigo, e é assim que fica escrita aqui. Uma hipótese de trabalho publicada, não uma interação medida em pessoas.

Há também um detalhe bibliográfico que confunde quem vai procurar o trabalho de Fonsêca. A data indexada é fevereiro de 2016, mas várias listas de referências apontam 2015. A explicação mais provável é banal: publicação online antes da versão impressa. Mesmo estudo, duas datas em circulação.

Os desenhos também não coincidem entre si, e essa diferença muda o que cada linha pode sustentar. Num caso, o nerolidol foi administrado por si. Noutro, entrou pela via de um óleo essencial de planta em que é o componente dominante. Noutro ainda, foi isolado a partir de um óleo essencial antes de entrar nos ensaios. E falta dizer o resto: para várias destas linhas existe um único estudo. Um estudo é um estudo. O quadro seguinte está ordenado por ano, do mais antigo para o mais recente, e não por peso de prova.

PublicaçãoDesenhoRegisto publicado
Wattenberg, 1991 [4]Modelo de laboratório com indução química e nerolidol na alimentaçãoIncidência registada no intestino grosso de 82% para 33%
Klopell e colegas, 2007 [7]Modelos de úlcera em laboratório, com nerolidol isolado do óleo essencial de Baccharis dracunculifoliaMenor formação de úlcera no modelo de contenção; inibição nos modelos com etanol e com indometacina
Russo, 2011 [2]Revisão de literaturaNerolidol nomeado como terpeno candidato a interação com determinados canabinoides
Nogueira Neto e colegas, 2013 [6]Hipocampo, após teste de campo abertoAtividade antioxidante registada; os autores descrevem o composto como neuroprotetor naquele modelo
Costa e colegas, 2015 [5]Estudo de laboratório com óleo essencial de folha de Zornia brasiliensis, rico em nerolidolRedução registada entre 1,68% e 38,61% no parâmetro medido
Fonsêca e colegas, 2016 [3]Modelo pré-clínico, com quantidades variáveisMenor resposta nociceptiva e menor produção de interleucinas; mecanismo proposto no sistema GABAérgico
Ensaios em pessoasSem registoNos dois trabalhos com percentagens publicadas, o material é de laboratório e não há testes em pessoas [4][5]

Sete registos lidos um a um, com ano e autor

Cada ponto da lista corresponde a um registo publicado. Um resultado, um desenho, um ano.

Duas expressões pedem tradução antes de começar. Resposta nociceptiva é a reação mensurável de um organismo a um estímulo nocivo, avaliada em ensaios padronizados. Interleucinas são moléculas de sinalização trocadas entre células do sistema imunitário. Ambas aparecem no trabalho de Fonsêca, de 2016 [3].

A terceira expressão é sistema GABAérgico. Refere-se à rede de sinalização organizada em torno do ácido gama-aminobutírico, e é o mecanismo que os autores propõem para explicar o que observaram [3]. Proposto, não demonstrado. A distinção é do próprio artigo, e é ela que impede a frase de crescer.

Os dois trabalhos com percentagens seguem desenhos diferentes um do outro, e é por isso que os números não se comparam de forma direta. Um usa o composto isolado, pela via da alimentação [4]. O outro usa um óleo essencial de folha em que o nerolidol é o componente maioritário [5]. Percentagens iguais no formato, distintas na origem.

  1. Fonsêca e colegas, 2016: com quantidades variáveis, a administração de nerolidol acompanhou uma diminuição da resposta nociceptiva medida no ensaio [3]. A variação de quantidades faz parte do desenho, não é um pormenor.
  2. No mesmo estudo, a produção de interleucinas desceu [3]. É uma medição de sinalização entre células do sistema imunitário, e fica nesse plano.
  3. O mecanismo apontado pelos autores para esse conjunto de observações é o sistema GABAérgico, a rede que se organiza em torno do ácido gama-aminobutírico [3].
  4. Nota bibliográfica sobre esse mesmo artigo: fevereiro de 2016 na base de dados, 2015 em algumas listas de referências. A hipótese mais razoável é a publicação online antes da versão impressa.
  5. Wattenberg, 1991: com indução química e nerolidol na alimentação, a incidência registada no intestino grosso passou de 82% para 33% [4]. É o registo mais antigo desta ficha.
  6. Costa e colegas, 2015: num estudo de laboratório com óleo essencial de folha de Zornia brasiliensis, rico em nerolidol, a redução do parâmetro medido ficou registada entre 1,68% e 38,61% [5]. Um intervalo largo, publicado como intervalo.
  7. Nogueira Neto e colegas, 2013: atividade antioxidante registada no hipocampo após teste de campo aberto, com os autores a descrever o composto como neuroprotetor naquele modelo [6]. Um estudo pré-clínico, uma região do cérebro. O alcance da frase acaba aí.

Klopell, 2007: três desenhos e dois números

De toda a lista, o trabalho de Klopell, de 2007, é o mais concreto em matéria de valores. Partiu de nerolidol isolado do óleo essencial de Baccharis dracunculifolia e usou modelos de úlcera em laboratório [7]. Três desenhos, três registos.

Contenção, etanol, indometacina. No primeiro, a formação de úlcera por contenção ficou menor [7]. Nos outros dois, o que está publicado é inibição [7]. A indometacina entra nesse desenho como a substância que provoca a lesão depois medida, e é essa a sua função no ensaio [7].

Os dois valores do modelo com etanol são os mais citados do artigo. Pertencem ao modelo. Lidos à letra, dizem quanto ficou inibida a formação de lesão naquele desenho, naquelas condições, com aquelas quantidades. Fora do desenho, não dizem nada.

Falta a nota de peso de prova, que raramente entra nos resumos. Vários destes registos assentam num único estudo cada um, e é assim que devem ser lidos.

Do lado do que se pode consultar num frasco, a lógica é outra e bem mais simples. Num óleo de CBD de espectro completo, tal como nas cápsulas de CBD, o relatório do lote indica o perfil analisado, e não leituras de terpenos individuais.

  1. Origem do material: nerolidol isolado a partir do óleo essencial de Baccharis dracunculifolia, antes de entrar nos ensaios [7].
  2. Modelo de contenção: menor formação de úlcera no grupo em que o composto foi administrado [7].
  3. Modelo com etanol: 52,63% de inibição a 250 mg/kg e 87,63% a 500 mg/kg [7]. Dois pontos, uma curva por confirmar.
  4. Modelo com indometacina: as úlceras induzidas por esta substância ficaram inibidas no mesmo trabalho [7].
  5. Peso de prova: para vários destes registos existe uma única publicação, e a leitura tem de acompanhar esse limite.
  6. Ensaios em pessoas: nos dois trabalhos com percentagens publicadas, o material é de laboratório e não há testes em pessoas [4][5]. Sem ensaios clínicos aprofundados, o que existe são registos de modelo.
  7. Composição verificável: as análises publicadas cobrem a gama de óleo de CBD, com testes de lote feitos por laboratórios independentes desde 2014, porque afirmar é fácil e um resultado consulta-se.

Perguntas frequentes

Onde é que o nerolidol aparece no dia a dia?
Em cosmética e em produtos de limpeza, com o aroma como única função declarada, e na alimentação, onde nos Estados Unidos consta como aromatizante seguro e o fabricante lhe atribui o papel de intensificador de sabor [1]. Na Europa, chega ao consumidor cheirado e provado, sem que o nome seja lido no rótulo [1].
Quantas toneladas de nerolidol usa a indústria por ano?
A revisão de Chan, de 2016, indica um consumo industrial na ordem das 10 a 100 toneladas métricas por ano, repartidas por cosmética e produtos de limpeza [1]. É um intervalo largo, e é assim que está publicado. Nesse mesmo texto, a estabilidade aparece como o motor dessa utilização [1].
O que significa dizer que a investigação sobre o nerolidol é pré-clínica?
Significa trabalho feito antes de qualquer ensaio em pessoas: células, tecidos e modelos de laboratório. Nos estudos citados nesta ficha, todos os registos vêm desse plano [3][4][6][7], e nos dois trabalhos com percentagens publicadas não existem testes em pessoas [4][5].
Porque é que o trabalho de Fonsêca aparece com duas datas?
Porque circulam duas. A base de dados indexa fevereiro de 2016, enquanto algumas listas de referências indicam 2015. A explicação mais provável é a publicação online antes da versão impressa [3]. O conteúdo é o mesmo: quantidades variáveis, resposta nociceptiva, interleucinas e o sistema GABAérgico como mecanismo proposto.
O nerolidol consta das análises publicadas pela Cibdol?
As análises publicadas cobrem a gama de óleo de CBD, com testes de lote feitos desde 2014. Num óleo de CBD de espectro completo, tal como nas cápsulas de CBD, o relatório do lote indica a composição analisada. Este terpeno não figura nessa documentação.

Sobre este artigo

Luke Sholl escreve sobre canabinoides, CBD e os benefícios da natureza num sentido mais amplo desde 2011. O seu percurso inclui experiência direta no cultivo de canábis ao longo de todo o ciclo, da semente à colheita, em

Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, Autor sobre CBD e bem-estar. Supervisão editorial por Joshua Askew.

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Aviso médico. Este conteúdo destina-se apenas a fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer substância.

Última revisão em 26 de agosto de 2026

Referências (7)

  1. [1]Chan, W.K. et al. (2016). Nerolidol: A Sesquiterpene Alcohol with Multi-Faceted Pharmacological and Biological Activities. Molecules. DOI: 10.3390/molecules21050529
  2. [2]Russo, E.B. (2011). Taming THC: potential cannabis synergy and phytocannabinoid-terpenoid entourage effects. British Journal of Pharmacology. DOI: 10.1111/j.1476-5381.2011.01238.x
  3. [3]Fonsêca, D.V. et al. (2016). Nerolidol exhibits antinociceptive and anti-inflammatory activity: involvement of the GABAergic system and proinflammatory cytokines. Fundamental & Clinical Pharmacology. DOI: 10.1111/fcp.12166
  4. [4]Wattenberg, L.W. (1991). Inhibition of azoxymethane-induced neoplasia of the large bowel by 3-hydroxy-3,7,11-trimethyl-1,6,10-dodecatriene (nerolidol). Carcinogenesis. DOI: 10.1093/carcin/12.1.151
  5. [5]Costa, E.V. et al. (2015). Antitumor Properties of the leaf essential oil of Zornia brasiliensis. Planta Medica. DOI: 10.1055/s-0035-1545842
  6. [6]Nogueira Neto, J.D. et al. (2013). Antioxidant effects of nerolidol in mice hippocampus after open field test. Neurochemical Research. DOI: 10.1007/s11064-013-1092-2
  7. [7]Klopell, F.C. et al. (2007). Nerolidol, an Antiulcer Constituent from the Essential Oil of Baccharis dracunculifolia DC (Asteraceae). Zeitschrift für Naturforschung C. DOI: 10.1515/znc-2007-7-812

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