Flavonas: os flavonoides das ervas e das flores

Definition
Uma flavona é um flavonoide de quinze carbonos com uma marca fixa no anel C: ligação dupla, cetona na posição 4, anel B ligado na posição 2 e a posição 3 sem substituinte. Apigenina e luteolina são os nomes de referência da subclasse. As canflavinas da canábis entram na mesma classe, com cadeias laterais prenilo acrescentadas a este esqueleto.
Por onde se começa a ler uma flavona?
Pelo anel C. É ali que estão os dois pormenores que fecham a definição: uma ligação dupla e uma cetona na posição 4. O anel B liga-se na posição 2. E a posição 3 fica vazia, sem substituinte nenhum. Some-se a isso o esqueleto de quinze carbonos que todos os flavonoides partilham, e o desenho está completo.
Parece pormenor de laboratório. É, antes disso, uma questão de ordem. Quem fixa primeiro o esqueleto da flavona consegue depois ler a árvore genealógica dos flavonoides sem tropeçar nos nomes [1]. Na classificação do grupo, as flavonas ocupam uma posição própria [1], e as subclasses vizinhas definem-se pelo que muda em relação a este esqueleto. Apigenina e luteolina são os dois nomes que aparecem em qualquer manual quando o assunto é flavonas [1].
Uma nota de vocabulário, e só uma: flavona é a subclasse, flavonoide é o grupo inteiro [1]. Trocar as duas palavras é o tropeção mais comum nesta matéria.
- Esqueleto: quinze átomos de carbono, a base comum a toda a família dos flavonoides, contada sempre da mesma maneira.
- Anel C: uma ligação dupla, e é essa ligação que coloca a molécula do lado das flavonas.
- Posição 4: uma cetona, sempre no mesmo lugar do anel C, sem variação dentro da subclasse.
- Posição 2: o ponto onde o anel B se encaixa neste esqueleto e não noutro.
- Posição 3: livre, sem substituinte, e é aqui que se decide a fronteira com as subclasses vizinhas.
- Nomes de referência: apigenina e luteolina, as flavonas de manual [1].
Quercetina, kaempferol e a diferença de um grupo
Ponha um grupo hidroxilo na posição 3 e a molécula deixa de ser flavona. Passa a flavonol. É essa a diferença entre as duas listas mais citadas do grupo: quercetina e kaempferol são flavonóis, apigenina e luteolina são flavonas. Um grupo, uma posição, dois nomes de subclasse.
A segunda fronteira mexe no anel B. Na flavona, esse anel está ligado na posição 2. Passe-o para a posição 3 e o resultado é uma isoflavona. Nada se acrescenta, nada se retira. Muda o ponto de ligação, e a subclasse muda com ele.
Vale a pena parar neste ponto, porque é aqui que muita gente desiste da nomenclatura. O esqueleto de quinze carbonos é o mesmo em todos estes casos [1]. O que muda é a contabilidade das posições: quem ocupa a 2, quem ocupa a 3, o que está pendurado em cada uma delas. A revisão de Panche, de 2016, organiza a família exatamente por este critério [1], e é por isso que os nomes das subclasses soam parecidos sem serem sinónimos.
Três palavras, três subclasses: flavona, flavonol, isoflavona. A distância entre as três cabe num grupo acrescentado ou num ponto de ligação deslocado. Nada mais.
Na prática, isto tem uma consequência simples para quem lê textos sobre plantas. A quercetina não é uma flavona, ainda que apareça mil vezes ao lado da apigenina na mesma frase sobre flavonoides. São vizinhas de subclasse, com um grupo hidroxilo a separá-las. Apigenina e luteolina ficam deste lado da linha porque a posição 3 permanece intacta [1].
A molécula que serve de ponto de referência
O nome do grupo veio daqui. Flavonoide é a etiqueta da família, e essa etiqueta foi tirada do composto de origem [1]. A flavona funciona como ponto de referência: as definições das outras subclasses saem todas dela, por comparação [1]. Quem aprende ao contrário, subclasse a subclasse, fica com uma lista de nomes sem eixo.
Do lado da planta, uma flavona não dá cores fortes. O pigmento é pálido. E, mesmo assim, faz trabalho a sério na planta, em vez de estar ali como enfeite [1].
Há um dado que ajuda a perceber a aparente contradição: a contribuição de cor de uma flavona é discreta para o olho humano, e bem menos discreta para um inseto [1]. Ou seja, a escala de leitura muda com o observador. Uma flor que nos parece branca ou creme não está necessariamente a mostrar o mesmo a quem a visita.
Daí a impressão enganadora de que estas moléculas são um detalhe estético menor. Cor pálida não é o mesmo que função menor [1]. Apigenina e luteolina, as flavonas do canteiro de ervas, ilustram bem o caso: entram nas tabelas de composição das plantas sem darem à folha um tom que salte à vista.
Há uma forma prática de testar se o eixo está no lugar. Pegue-se num nome qualquer da família e pergunte-se o que ele tem a mais, ou a menos, do que uma flavona: um hidroxilo na posição 3, o anel B deslocado, uma cadeia lateral extra. Se a resposta sair de imediato, a estrutura está fixada. Se não sair, falta voltar ao anel C e recomeçar pela cetona da posição 4.
Canflavinas: uma flavona com cadeias prenilo
As canflavinas da canábis são flavonas. Estrutura: anel B na posição 2, cetona na posição 4 e cadeias laterais prenilo acrescentadas a esse esqueleto [2]. É esse acrescento que as separa da apigenina e da luteolina do canteiro de ervas. Mesma classe, desenho prenilado [2].
Prenilado é o adjetivo que a química usa quando esse tipo de cadeia lateral se junta ao esqueleto base. Aplicado às canflavinas, é o traço que as identifica dentro da classe [2]. Duas flavonas de jardim e uma flavona prenilada podem partilhar a mesma linha de classificação sem se parecerem no papel.
No inventário de constituintes da canábis assinado por ElSohly e Slade, de 2005, as canflavinas aparecem dentro de um enquadramento de conjunto [2]. A ideia, que esta área designa por entourage, diz-se em poucas palavras: os compostos da planta são descritos como grupo, e não um a um em isolamento [2]. As canflavinas entram nessa contagem pelo lado dos flavonoides.
Fica uma pergunta em aberto, e vale escrevê-la como pergunta: as canflavinas ocorrem noutras plantas? [1] A literatura citada nesta página descreve a estrutura e a ocorrência na canábis, e não fecha o mapa botânico do composto.
Quem chega a este tema por pesquisa raramente chega só com a palavra flavona. Aparecem ao lado os terpenos, o sistema endocanabinóide, os endocanabinoides, os recetores canabinoides. São linhas de leitura separadas, com literatura própria. Do lado do catálogo da Cibdol, a distinção também é de rótulo: um extrato de CBD de espectro completo, ou umas cápsulas de CBD, descrevem-se pela composição declarada e pelo relatório do lote, não pelo esqueleto de uma flavona.
Dez registos, na ordem em que se leem
- Esqueleto de quinze carbonos: a base partilhada por todo o grupo dos flavonoides, e o primeiro dado a fixar antes de discutir subclasses [1].
- Anel C: ligação dupla e cetona na posição 4. Estes dois pormenores, juntos, são o que faz de uma flavona uma flavona.
- Anel B na posição 2. Se estiver na posição 3, o nome passa a isoflavona, com o mesmo número de carbonos no esqueleto.
- Posição 3 sem substituinte. Acrescente-se um grupo hidroxilo nessa posição, e a molécula lê-se como flavonol.
- Flavonóis de referência: quercetina e kaempferol. Flavonas de referência: apigenina e luteolina. As duas listas circulam juntas e não se sobrepõem [1].
- Ordem de aprendizagem: primeiro o esqueleto da flavona, depois a árvore genealógica. Feito nesta ordem, a família fica legível [1].
- Nome da família: a etiqueta flavonoide veio do composto de origem, e é dele que saem, por comparação, as definições restantes [1].
- Pigmento pálido: a contribuição de cor é discreta para nós e menos discreta para um inseto, o que não transforma a função na planta num pormenor decorativo [1].
- Canflavinas: flavona com anel B na posição 2, cetona na posição 4 e cadeias laterais prenilo, descritas no inventário de constituintes da canábis de 2005 [2].
- A pergunta que fica: se as canflavinas ocorrem fora da canábis, não é nas fontes citadas aqui que essa resposta está [1].
Perguntas frequentes
3 perguntasA posição 3 muda o nome do composto?
Uma flavona pálida também conta como pigmento?
Ao lado de que compostos aparecem as canflavinas na literatura?
Sobre este artigo
Luke Sholl escreve sobre canabinoides, CBD e os benefícios da natureza num sentido mais amplo desde 2011. O seu percurso inclui experiência direta no cultivo de canábis ao longo de todo o ciclo, da semente à colheita, em
Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, Autor sobre CBD e bem-estar. Supervisão editorial por Joshua Askew.
Aviso médico. Este conteúdo destina-se apenas a fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer substância.
Última revisão em 27 de agosto de 2026
Referências (2)
- [1]Panche, A.N., Diwan, A.D. and Chandra, S.R. (2016). Flavonoids: an overview. DOI: https://doi.org/10.1017/jns.2016.41
- [2]ElSohly, M.A. and Slade, D. (2005). Chemical constituents of marijuana: the complex mixture of natural cannabinoids. DOI: https://doi.org/10.1016/j.lfs.2005.09.011
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